Álbum da Copa 2026 movimenta bancas

Mesmo com a febre das figurinhas reacendendo o interesse de colecionadores em todo o país, comerciantes apontam impacto dos preços mais altos e da concorrência de novos canais de venda

A chegada do álbum oficial da Copa do Mundo de 2026 voltou a movimentar bancas de jornal em diversas cidades brasileiras e trouxe um novo fôlego para jornaleiros que dependem das vendas sazonais para reforçar o faturamento. Em São Paulo, comerciantes relatam aumento no fluxo de clientes desde os primeiros dias de comercialização da coleção, mas afirmam que o desempenho ainda está abaixo do registrado durante a Copa do Catar, em 2022.

Segundo vendedores ouvidos pelo Terra, a procura pelos pacotes de figurinhas continua forte entre crianças, jovens e colecionadores tradicionais, mantendo viva uma das maiores tradições ligadas ao futebol mundial. Apesar disso, muitos jornaleiros dizem perceber uma redução significativa no volume de vendas em comparação com a última edição do torneio.

A principal explicação para o cenário está na transformação do mercado. Se antes as bancas eram praticamente o principal ponto de compra dos álbuns e figurinhas, hoje o produto também é comercializado em supermercados, livrarias, marketplaces, aplicativos de entrega, lotéricas e até redes de fast-food. Com mais opções disponíveis, o consumidor continua comprando, mas distribui as aquisições em diferentes canais, reduzindo a concentração das vendas no comércio tradicional.

Outro fator que pesa diretamente no bolso dos colecionadores é o custo da coleção. O álbum da Copa de 2026 se tornou o maior da história, com 112 páginas e 980 figurinhas. A versão brochura custa R$ 24,90, enquanto cada envelope com sete cromos é vendido por R$ 7.

Na prática, completar a coleção exige um investimento elevado. Sem considerar figurinhas repetidas, o custo mínimo para preencher todas as páginas já ultrapassa R$ 1 mil — valor que pode crescer consideravelmente ao longo da jornada de troca e compra de novos pacotes.

A diferença em relação à edição anterior também chama atenção. O álbum da Copa do Catar contava com 670 figurinhas, enquanto a nova versão ampliou o número para 980, acompanhando a expansão do Mundial para 48 seleções. O preço dos envelopes também aumentou: passou de R$ 4 para R$ 7. Em contrapartida, cada pacote deixou de trazer cinco figurinhas e passou a incluir sete.

Mesmo com o reajuste na quantidade de cromos, o custo total da coleção ficou mais alto, o que ajuda a explicar por que o entusiasmo popular não se traduz no mesmo volume de vendas registrado há quatro anos.

Ainda assim, o álbum da Copa segue como um importante fenômeno cultural e comercial no Brasil, mobilizando diferentes gerações de torcedores e movimentando milhares de pontos de venda em todo o país. O cenário atual, porém, revela um mercado mais pulverizado, mais competitivo e em constante transformação.

No plano institucional, a Panini continuará responsável pelos álbuns oficiais da Copa do Mundo até 2030. Depois disso, a FIFA já anunciou que a Fanatics assumirá os direitos globais de produção e comercialização de colecionáveis ligados ao torneio a partir de 2031.

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