Como as “construções que respiram” garantem mais conforto climático em Brasília

Especialistas explicam como a tecnologia na construção civil é fundamental para o conforto térmico durante os meses mais quentes no DF

Com a chegada do mês de maio, o Distrito Federal inicia seu período mais severo de estiagem e baixa umidade relativa do ar, fenômeno que tradicionalmente se estende até setembro, mas que, neste ano, com os efeitos do super El Niño, pode ser ainda mais intenso. Diante de um cenário em que a maioria dos brasilienses recorre ao uso contínuo de umidificadores e aparelhos de ar-condicionado — elevando substancialmente o consumo de energia elétrica —, a engenharia e a arquitetura locais ressurgem como aliadas fundamentais para reduzir os impactos climáticos de forma sustentável.

De acordo com o arquiteto Péricles Medeiros, mais do que uma tendência estética, esse conceito resgata o DNA urbanístico de Brasília, que historicamente utilizou elementos como cobogós e pilotis para favorecer a circulação natural do ar. Hoje, porém, o desafio ganhou novas proporções, como conforto térmico e lumínico, fachadas ventiladas, vidros laminados com alto fator de proteção solar e um paisagismo pensado não apenas para a estética, mas também para o bem-estar físico e mental dos moradores. Uma realidade que ele conhece bem atuando como diretor na incorporadora Faenge.

“Mais do que simplesmente trazer o verde para os empreendimentos residenciais, a natureza é um combustível para a saúde e para a qualidade de vida.” Arquiteto Péricles Medeiros

“O mercado busca compreender as novas demandas dos clientes. Mais do que simplesmente trazer o verde para os empreendimentos residenciais, entendemos que a proximidade com a natureza é um combustível para a saúde e para a qualidade de vida”, explica Péricles. Segundo ele, estudos já demonstram a ligação direta entre o contato com a natureza e a redução dos níveis de cortisol no sangue, a diminuição do estresse e a melhora da recuperação física e mental após a rotina diária.

Para o mercado imobiliário, o conforto térmico e a integração com a natureza tornaram-se alguns dos principais critérios de decisão de compra. Esse foi um dos fatores determinantes para Márcio Brito ao escolher um imóvel. “O paisagismo fez toda diferença na hora da escolha. Meu apartamento é completamente imerso na natureza”, relata o morador .

Segundo Péricles, os apartamentos mais valorizados da atualidade estão ligados à vista para o mar, à conexão com áreas verdes, jardins, floreiras e árvores integradas às varandas e áreas comuns. “As pessoas estão dispostas a investir mais para viver próximas da natureza, porém dentro dos centros urbanos. É uma tendência mundial. Hoje, natureza não representa apenas lazer, mas também infraestrutura wellness.”, destaca.

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