China reabre mercado para frigoríficos dos EUA, mas Brasil mantém vantagem na exportação de carne

Mesmo com a renovação de mais de 400 plantas norte-americanas, analistas apontam que carne brasileira segue competitiva no mercado chinês

A decisão da China de renovar a habilitação de mais de 400 frigoríficos dos Estados Unidos para exportação de carne bovina reacendeu o debate sobre os impactos no mercado internacional de proteínas. Apesar da medida favorecer os produtores norte-americanos, especialistas avaliam que o Brasil deve continuar em posição estratégica no curto prazo, principalmente pela competitividade dos preços e pela forte demanda chinesa.

As habilitações estavam vencidas há anos e fazem parte de uma aproximação comercial entre Washington e Pequim. Ainda assim, os Estados Unidos enfrentam dificuldades para ampliar suas vendas ao mercado chinês. A cota disponível para os norte-americanos é de 164 mil toneladas de carne bovina sem cobrança de tarifas, mas o volume exportado neste ano segue abaixo do esperado.

Nos dois primeiros meses do ano, os EUA enviaram apenas 540 toneladas ao país asiático. O desempenho contrasta com o cenário brasileiro, que possui uma cota superior a 1,1 milhão de toneladas e mantém ritmo elevado nas exportações.

O movimento ocorre após reuniões entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping. Após o encontro, a Casa Branca informou que a China assumiu o compromisso de comprar ao menos 17 bilhões de dólares em produtos agrícolas norte-americanos até 2028. O acordo inclui diferentes setores do agronegócio, mas não considera os contratos já firmados anteriormente para aquisição de soja.

Além disso, os dois países anunciaram a criação de conselhos voltados ao comércio e aos investimentos bilaterais, em uma tentativa de fortalecer as relações econômicas após anos de tensão comercial.

Enquanto isso, o cenário climático também preocupa produtores rurais em várias partes do mundo. Relatórios da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos indicam 80% de probabilidade de formação do fenômeno El Niño no segundo semestre deste ano, com possibilidade de intensidade elevada.

No Brasil, os impactos podem variar conforme a região. Áreas do centro-norte podem enfrentar períodos de seca, calor intenso e perdas na produtividade agrícola. Já os estados do Sul devem registrar aumento no volume de chuvas, elevando o risco de prejuízos no campo e dificuldades logísticas para produtores.

Mesmo diante das mudanças no comércio internacional e das incertezas climáticas, o agronegócio brasileiro segue como um dos principais fornecedores globais de carne bovina, sustentado pela capacidade de produção, escala e competitividade no mercado externo.

*Com informações da CNN

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