Atendimentos por problemas respiratórios crescem quase 12% nas UPAs do Distrito Federal

O avanço das doenças típicas do clima seco elevou a busca por assistência médica em maio; maior parte dos casos é leve, mas especialistas alertam para sinais de alerta em crianças e idosos

As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Distrito Federal registraram mais de 8,6 mil atendimentos relacionados a sintomas respiratórios durante o mês de maio. O volume representa uma alta de 11,7% em comparação com o mês de abril, impulsionado pelas condições climáticas desta época do ano, quando a baixa umidade agrava o quadro de saúde da população.

De acordo com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), que administra as 13 UPAs da capital, os jovens adultos de 20 a 29 anos e as crianças de 1 a 4 anos foram os grupos que mais recorreram aos serviços de saúde no período. As regiões do Recanto das Emas e de Sobradinho lideraram as estatísticas de procura, somando mais de 2.500 acolhimentos motivados por queixas respiratórias.

Os grupos que mais buscaram atendimento foram adultos entre 20 e 29 anos e crianças de 1 a 4 anos, faixa etária mais vulnerável às doenças típicas desta época do ano | Fotos: Divulgação/IgesDF

Apesar do aumento no fluxo de pacientes, os dados apontam que a grande maioria das ocorrências envolve quadros de menor gravidade. Cerca de 53% dos casos receberam a classificação de risco verde (pouco urgente) e 34% foram identificados como amarelos (urgência moderada). Situações consideradas graves ou de emergência (pulseiras laranja e vermelha) corresponderam a pouco mais de 9% do total de registros.

Profissionais de saúde explicam que a combinação de tempo seco e poluição irrita o sistema respiratório, tornando episódios de asma, rinite, sinusite e infecções das vias aéreas superiores mais frequentes. Embora os sintomas iniciais — como tosse, coriza e obstrução nasal — se assemelhem aos de resfriados comuns, especialistas pedem atenção a sinais que exigem socorro médico imediato, tais como dificuldade severa para respirar, febre persistente, prostração extrema e recusa alimentar, especialmente em bebês e crianças pequenas.

Critérios de triagem e telemedicina

O gerenciamento de fluxo nas UPAs adota o protocolo de classificação de risco para ordenar a assistência médica. O tempo de espera é definido por critérios clínicos estabelecidos logo após o cadastro do paciente na recepção, avaliando indicadores como sinais vitais, doenças preexistentes e histórico recente de sintomas. O sistema assegura o atendimento prioritário para quem apresenta iminência de agravamento, independentemente da ordem de chegada.

Apesar do aumento da demanda, a maior parte dos pacientes apresentou quadros considerados leves | Fotos: Divulgação/IgesDF

Para otimizar o fluxo presencial de pacientes menos graves (classificados como verdes ou azuis), o IgesDF oferece a alternativa da teleconsulta nas 13 unidades. A ferramenta atua de forma complementar: o paciente passa pela triagem física de enfermagem e, caso o seu quadro permita, pode ser consultado por um médico via sistema digital. Se o profissional de saúde notar a necessidade de exames físicos detalhados ou de procedimentos locais, o atendimento é prontamente convertido para o formato convencional nas dependências da própria unidade.

Para atenuar os efeitos do período de estiagem e prevenir o surgimento de complicações respiratórias, as recomendações médicas incluem a hidratação constante ao longo do dia, a lavagem nasal frequente com soro fisiológico, a manutenção da carteira de vacinação em dia e o cuidado de evitar locais com aglomerações e pouca ventilação.

Com informações da Agência Brasília

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