Os preços internacionais dos alimentos ficaram praticamente estáveis em maio, segundo o mais recente levantamento da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O índice da entidade, que acompanha a variação de preços de diversos produtos alimentícios, fechou o mês em 130,8 pontos, com leve queda de 0,2% em relação ao nível revisado de abril.
Apesar da estabilidade mensal, o indicador ficou 2,9% acima do registrado em maio do ano passado. Ainda assim, permanece 18,4% abaixo do pico histórico alcançado em março de 2022, período marcado por forte pressão sobre os mercados globais de alimentos.

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Cereais e açúcar lideram as altas
Entre os produtos com maior valorização no mês, os cereais tiveram alta de 2,6% em relação a abril. O avanço foi impulsionado principalmente pelo trigo, que subiu pelo quarto mês consecutivo devido à previsão de safras menores em importantes países exportadores, incluindo os Estados Unidos. O milho também registrou aumento, influenciado pela oferta mais restrita no Brasil e nos EUA e pelo fortalecimento da demanda internacional.
O açúcar apresentou uma das maiores altas do período, com avanço de 7,5% sobre abril. A FAO atribui o movimento a preocupações com a oferta global, especialmente diante da menor participação da cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar no Brasil, o que aumenta as expectativas de maior direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol.
Óleos vegetais e lácteos recuam
Na direção oposta, os óleos vegetais caíram 4,6% em maio, registrando o primeiro recuo mensal desde o início de 2026. O principal fator foi a queda nos preços do óleo de palma, influenciada pela expectativa de menor demanda por importações e pela incerteza nos mercados de petróleo bruto. O óleo de soja teve comportamento misto: a maior oferta exportável na América do Sul pressionou os preços, enquanto a demanda por biocombustíveis nos Estados Unidos ajudou a sustentar as cotações.
Os lácteos também recuaram, com queda de 0,5% em relação a abril. Segundo a FAO, a maior disponibilidade de gordura do leite contribuiu para a redução nos preços da manteiga na Europa e na Oceania. Os preços do queijo tiveram recuo marginal, enquanto o leite em pó desnatado registrou aumento, especialmente no mercado europeu.
Mercado de carnes quase estável
O índice de carnes teve variação positiva de apenas 0,1% no mês, mas ficou 6,3% acima do nível observado há um ano. As altas nos preços da carne bovina e ovina, além do leve avanço da carne de aves, foram praticamente compensadas pela queda nas cotações da carne suína.
A FAO destaca que a demanda chinesa continua sustentando os preços da carne bovina, enquanto a reconstrução dos rebanhos em importantes países produtores influencia o equilíbrio global do mercado. No caso das aves, os preços mais altos no Brasil refletiram a forte demanda internacional. Já a carne suína recuou principalmente na União Europeia, em razão da oferta abundante e de uma demanda de importações considerada moderada.
Fonte: Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) / Com informações CNN





