Safra recorde mantém fretes agrícolas em alta mesmo após pico da colheita

Demanda por transporte de grãos segue aquecida com forte movimentação de soja e milho pelo país

A expectativa de uma produção recorde de soja continua pressionando o mercado de transporte rodoviário de cargas agrícolas no Brasil. Mesmo com o encerramento do período mais intenso de escoamento da primeira safra, os preços dos fretes permanecem elevados em importantes corredores logísticos, segundo dados do Boletim Logístico de junho da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O cenário chama atenção porque, normalmente, o fim do pico da colheita reduz a demanda por caminhões e provoca uma queda nos valores praticados. No entanto, o volume histórico da produção de soja manteve o fluxo de cargas elevado e sustentou os preços próximos aos níveis registrados no auge da safra, entre fevereiro e março.

Preços dos fretes seguem em alta após pico da colheita   • Estela Aguiar

De acordo com a Conab, o aumento de aproximadamente 8,8 milhões de toneladas na produção de soja em relação ao ciclo anterior fortaleceu a procura pelo transporte de grãos, mantendo o setor logístico aquecido em diversas regiões produtoras.

Centro-Oeste concentra pressão logística

Em Mato Grosso, principal produtor nacional de grãos, os preços dos fretes apresentaram poucas alterações em relação ao mês anterior, mas continuam em patamares altos. A forte movimentação da safra e a necessidade de levar a produção até os centros consumidores e portos mantêm a demanda por transporte elevada.

No Mato Grosso do Sul, o mercado também segue pressionado. Mesmo após a redução sazonal dos volumes da safra de verão, o ritmo de embarques e as negociações externas continuam garantindo maior procura por caminhões para o transporte de grãos.

No Distrito Federal, os fretes agrícolas tiveram alta moderada em maio. Entre os fatores que contribuíram para esse avanço estão os custos elevados do diesel e a continuidade do escoamento das safras de soja e milho produzidas na região Centro-Oeste.

Diferentes movimentos pelo país

O comportamento dos fretes variou entre os estados produtores. No Maranhão, a logística permaneceu pressionada pelo avanço da colheita e pelo transporte destinado ao mercado interno e às exportações pelo Porto do Itaqui. Os preços tiveram aumento aproximado de 1,20% entre abril e maio.

No Paraná, os valores seguiram influenciados pelo custo operacional, especialmente pela alta do diesel S-10, além da concentração de demanda em algumas rotas estratégicas.

Jonas Oliveira | Fotos Públicas

Já em Goiás e na Bahia, houve uma redução temporária na movimentação de cargas devido ao calendário agrícola, com a conclusão da safra de soja e a espera pelo fortalecimento do transporte relacionado ao milho de segunda safra.

No Piauí, a queda nas exportações de soja contribuiu para a redução pontual dos fretes. Em São Paulo, os preços também recuaram após as altas registradas no início do ano, influenciados pela menor demanda industrial e por uma redução nos custos do combustível.

Exportações mantêm fluxo de cargas

O transporte agrícola continua impulsionado pelo bom desempenho das exportações brasileiras. Até maio deste ano, os embarques de milho chegaram a 7,5 milhões de toneladas, acima das 6,1 milhões registradas no mesmo período anterior.

A soja também manteve ritmo forte, alcançando 55,1 milhões de toneladas exportadas no acumulado até maio. Os portos do Arco Norte tiveram participação importante no escoamento, seguidos por Santos, Paranaguá e São Francisco do Sul.

O crescimento das exportações reforça a necessidade de uma logística eficiente para movimentar grandes volumes de produção entre as regiões agrícolas e os terminais portuários.

Custos e riscos seguem no radar

O boletim da Conab também destacou o cenário das importações de fertilizantes. Entre janeiro e maio, o Brasil comprou 15,05 milhões de toneladas do insumo, volume próximo ao registrado no mesmo período do ano passado.

Apesar da força do agronegócio, fatores como custos elevados dos fertilizantes, instabilidades internacionais e mudanças climáticas podem influenciar as próximas safras e afetar a dinâmica do transporte agrícola.

Com a produção em níveis recordes e a movimentação de grãos ainda intensa, o setor de fretes rodoviários segue como um dos principais pontos de atenção da cadeia do agronegócio brasileiro.

Com informações da CNN

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