O governo federal estuda a criação de uma linha de crédito subsidiado para a compra de fertilizantes no Plano Safra 2026/2027. A iniciativa, ainda em análise, tem como objetivo reduzir o impacto da alta de preços provocada por fatores externos, como conflitos internacionais e o custo da energia.
A proposta segue um modelo semelhante ao adotado recentemente em setores como combustíveis e aviação, com uso de crédito mais barato e participação direta do poder público para evitar repasses imediatos ao consumidor final. A lógica é simples: conter o impacto antes que ele se espalhe pela cadeia produtiva, como um amortecedor silencioso em meio à turbulência global.
Apesar da possibilidade, técnicos envolvidos na elaboração do plano avaliam que, neste momento, não há necessidade de medidas emergenciais. Isso porque os produtores já garantiram os insumos necessários para o plantio nos próximos meses, o que permite ao governo aguardar o lançamento oficial do Plano Safra, previsto para breve.

A discussão ocorre em um cenário de ações mais amplas para enfrentar os efeitos de instabilidades internacionais sobre preços estratégicos. Recentemente, o governo lançou um pacote voltado ao setor de combustíveis, incluindo desoneração tributária, linhas de crédito e medidas de reestruturação financeira. No caso da aviação, houve redução de tributos sobre o querosene e criação de financiamentos específicos para capital de giro e aquisição de combustível.
A mesma estrutura está sendo considerada para o agronegócio. Os fertilizantes, considerados insumos essenciais para a produção agrícola, passaram a ser tratados como prioridade dentro do planejamento econômico. A eventual linha de crédito funcionaria como um mecanismo de apoio ao produtor, garantindo acesso a insumos com condições mais favoráveis, caso os preços avancem além do esperado.
Além das medidas de curto prazo, o governo também discute soluções estruturais para reduzir a dependência externa. Atualmente, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, o que torna o setor vulnerável a crises internacionais, como as observadas durante a pandemia e conflitos recentes.
Entre as alternativas em estudo está o incentivo à produção nacional, por meio de financiamentos com condições facilitadas e apoio à indústria. A estratégia pode envolver programas já existentes e atuação de instituições públicas de crédito, com o objetivo de fortalecer a autonomia do país no médio e longo prazo.
A avaliação dentro da equipe econômica é de que, embora o cenário atual esteja sob controle, a adoção de medidas preventivas pode evitar impactos mais severos no futuro. O desafio é equilibrar resposta imediata e planejamento estrutural, mantendo o campo produtivo mesmo quando o cenário externo sopra ventos contrários.







