Endividamento recua no DF, mas inadimplência avança e bate recorde

Mesmo com leve queda no total de dívidas, cresce o número de famílias que não conseguem pagar contas no Distrito Federal

O número de famílias endividadas no Distrito Federal apresentou leve redução em março, mas o cenário financeiro segue preocupante. Isso porque a inadimplência — quando há atraso no pagamento de contas — continuou em alta e atingiu o maior nível já registrado na série histórica.

Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

De acordo com o levantamento, o percentual de famílias endividadas caiu de 80,0% em fevereiro para 79,7% em março. A variação é pequena e indica estabilidade. Ainda assim, o índice permanece bem acima do registrado no mesmo período do ano passado, quando estava em 66,7%.

Em números absolutos, o Distrito Federal contabiliza 841.657 famílias com algum tipo de dívida, uma redução de 1.900 em relação ao mês anterior. Na comparação anual, porém, houve um aumento expressivo de 139.483 famílias endividadas.

Enquanto o endividamento mostra leve alívio, a inadimplência segue em movimento contrário. O número de famílias com contas em atraso chegou a 497.433, o equivalente a 47,1% do total. Em fevereiro, esse índice era de 45,1%. Em apenas um mês, 21.517 novas famílias passaram a enfrentar atrasos. Na comparação com março do ano passado, o aumento é de 70.774 famílias.

Outro dado que chama atenção é o grupo de famílias que não têm condições de pagar suas dívidas. Esse percentual permaneceu estável em 20,4%, representando 215.770 famílias. No mesmo período do ano passado, esse contingente era menor: 198.165.

Na comparação com o restante do país, o nível de endividamento do Distrito Federal está próximo da média nacional, que foi de 80,4% em março. A diferença mais significativa aparece na inadimplência. Enquanto o índice nacional ficou em 29,6%, no DF chegou a 47,1%, uma diferença de 17,5 pontos percentuais.

O cartão de crédito segue como o principal responsável pelas dívidas. Ele está presente em 86,9% dos casos no Distrito Federal. Entre famílias com renda de até 10 salários mínimos, esse percentual sobe para 92,0%. Já entre as de maior renda, o índice é de 76,0%.

A pesquisa também mostra que o tempo médio de atraso no pagamento é de 68 dias. Além disso, o comprometimento médio da renda com dívidas chega a 35 semanas, o que indica que muitas famílias levam até oito meses para quitar seus débitos. Apesar do aumento da inadimplência, o percentual de renda comprometida com dívidas está em 23,6%, abaixo de níveis históricos e também inferior à média nacional.

Para o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, os dados revelam um cenário de pressão sobre o orçamento das famílias. Segundo ele, embora o endividamento esteja alinhado ao restante do país, a capacidade de pagamento no Distrito Federal é mais afetada.

Fatores como juros elevados e inflação persistente continuam impactando o orçamento doméstico, dificultando o cumprimento dos compromissos financeiros, mesmo em um contexto de maior estabilidade de renda, especialmente entre trabalhadores do setor público.

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