Representantes do Governo do Distrito Federal, do setor supermercadista e de produtores rurais se reuniram nesta quarta-feira (22), no Palácio do Buriti, para discutir a criação de um projeto voltado à ampliação da presença de produtos locais nos supermercados do DF. A iniciativa foi convocada pela governadora Celina Leão e prevê, entre as principais medidas, a criação de um selo de identificação para destacar itens produzidos na capital.
A proposta busca valorizar a produção regional, melhorar o escoamento dos pequenos produtores e estimular os consumidores a reconhecer e priorizar alimentos e mercadorias feitos no Distrito Federal. Segundo a governadora, um grupo de trabalho começa a atuar já a partir desta quinta-feira (23) na elaboração do projeto.

A iniciativa ganhou impulso após uma visita de Celina Leão à Feira da Goiaba, em Brazlândia. No local, produtores relataram dificuldades para comercializar seus produtos dentro do próprio DF e apontaram a necessidade de mais apoio para ampliar a venda local, sem depender do envio para outros estados.
Durante a reunião, a governadora defendeu a criação de um programa que fortaleça a identificação e a presença dos produtos locais no comércio. A avaliação é de que, ao saber da origem dos itens, o consumidor tende a valorizar mais a produção regional, especialmente quando se trata de produtos frescos e associados à economia local.
Participaram do encontro representantes de entidades ligadas ao comércio, ao desenvolvimento econômico e à agricultura do DF. Estiveram presentes o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire; o presidente do Sindsuper-DF e da Associação dos Supermercados de Brasília (Asbra), Jair Prediger; a superintendente do Sebrae-DF, Rose Rainha; o secretário de Agricultura, Rafael Bueno; o presidente da Emater-DF, Cleison Duval; o secretário de Economia, Valdivino de Oliveira; e o ex-secretário de Governo e ex-presidente da Asbra, José Humberto Pires.
Para o presidente do Sindsuper-DF, a proposta tem potencial para avançar, desde que seja acompanhada de articulação técnica e institucional. Ele destacou que um dos principais desafios será facilitar o cadastro e a padronização dos produtos para que possam entrar com mais agilidade nas redes de varejo.
Segundo Jair Prediger, há receptividade entre empresários do setor para ampliar a presença de mercadorias produzidas no DF nas prateleiras. A avaliação é de que a medida pode contribuir para o fortalecimento da economia local, ao mesmo tempo em que aproxima consumidores de produtos com identidade regional e qualidade reconhecida.
O sindicato representa atualmente cerca de mil CNPJs de supermercados e hipermercados no Distrito Federal, com aproximadamente 30 empresas associadas. A expectativa do setor é de que, com regras mais claras e apoio à organização dos produtores, a inserção desses produtos nas lojas se torne mais simples e mais ampla.

Durante a reunião, o presidente do Sistema Fecomércio-DF afirmou que a valorização da produção local já mostra resultados positivos em uma experiência em andamento na Casa de Chá, cafeteria-escola do Senac-DF em parceria com a Secretaria de Turismo. O espaço tem adotado, desde a abertura, a prioridade para produtos do Distrito Federal.
Entre os itens comercializados no local estão cafés das marcas Quanttto e Minelis, vinhos da Vinícola Brasília, cervejas artesanais da Hop Capital e da Cruls Beer, além de baunilha do Cerrado e obras de artistas da capital, como Jailson Belfort, Danilo Barbosa e Daniel Zukko.
De acordo com José Aparecido Freire, a experiência reforça que a produção local pode ser incorporada ao mercado com qualidade, identidade e boa aceitação do público. Segundo ele, desde a inauguração da Casa de Chá, em junho de 2024, até março deste ano, o espaço já atendeu mais de 270 mil pessoas.
Ao comentar a importância da pauta, o presidente do Fecomércio-DF também destacou sua relação com Brazlândia e ressaltou a qualidade da produção agrícola da região. Para ele, o desempenho dos produtores locais confirma o potencial do Distrito Federal para ampliar sua presença no mercado interno com produtos competitivos e bem avaliados.
A proposta em debate agora entra em fase de formulação. A expectativa do governo e das entidades envolvidas é que o futuro selo ajude a dar mais visibilidade aos produtos do DF, estimule o consumo regional e abra novas oportunidades para pequenos e médios produtores no varejo local.






