Estudo projeta alta de até 414% na carga tributária de transportadoras do agronegócio com a Reforma Tributária

Levantamento aponta que mudanças na CBS podem elevar custos do transporte de cargas e gerar reflexos em toda a cadeia produtiva

A implementação da Reforma Tributária poderá provocar um aumento expressivo na carga tributária das transportadoras que atendem o agronegócio. Um estudo da consultoria Rumo Brasil estima que a incidência de tributos sobre essas empresas pode crescer, em média, 414,4% com a entrada em vigor da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), novo tributo federal que substituirá o PIS e a Cofins.

Segundo o levantamento, o impacto financeiro apenas com a CBS ultrapassa R$ 144 milhões para o grupo de empresas analisado. O estudo foi desenvolvido com base em dados operacionais de transportadoras associadas à Associação Nacional das Empresas Agenciadoras de Transporte de Cargas (ANATC), entre elas algumas das maiores do setor no país.

Daniel Jeric’o

As empresas avaliadas reúnem faturamento de aproximadamente R$ 6,6 bilhões e movimentam cerca de R$ 5 bilhões em operações de subcontratação. Para a análise, a consultoria utilizou informações referentes às atividades realizadas ao longo de 2025, incluindo documentos fiscais, demonstrações contábeis, obrigações acessórias e controles internos.

De acordo com o CEO da Rumo Brasil, Rafael Brito, o objetivo do estudo foi apresentar uma visão prática dos possíveis efeitos da nova legislação tributária sobre o setor de transporte de cargas.

O levantamento aponta que o principal motivo para o aumento da carga tributária está nas mudanças das regras para aproveitamento de créditos fiscais relacionados às subcontratações, prática amplamente utilizada no transporte rodoviário de cargas, especialmente nas operações ligadas ao agronegócio.

Na avaliação da consultoria, essa alteração tende a afetar empresas que trabalham com margens reduzidas e dependem de alta eficiência operacional para manter a competitividade. Além da elevação dos custos, o novo modelo tributário exigirá maior controle sobre documentos fiscais e processos internos, já que cada operação poderá influenciar diretamente a apuração dos tributos.

Como o transporte rodoviário está presente em praticamente todas as etapas da cadeia produtiva, a consultoria avalia que o aumento dos custos poderá ser repassado gradualmente para embarcadores, indústrias, distribuidores e, por consequência, ao consumidor final.

O estudo também destaca a necessidade de adaptação das empresas ao novo cenário. A recomendação é que as transportadoras revisem contratos, processos internos e estratégias de gestão tributária para reduzir riscos operacionais e preservar a competitividade durante a transição para o novo sistema.

A Rumo Brasil ressalta que as estimativas apresentadas são projeções baseadas em dados operacionais de 2025 e consideram exclusivamente os efeitos da CBS. A regulamentação definitiva do novo tributo ainda está em andamento, o que poderá influenciar a aplicação das novas regras.

Com informações da CNN

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