Estudo aponta que PEC do fim da escala 6×1 pode elevar custos em serviços, logística e varejo

Levantamento da Moody's indica que mudança na jornada de trabalho pode pressionar despesas operacionais e desafiar setores com alta demanda por mão de obra

Um estudo da agência de classificação de risco Moody’s aponta que a proposta de redução da jornada de trabalho prevista na PEC que altera a escala 6×1 pode provocar impactos significativos em setores como serviços, logística e varejo. Segundo a análise, essas atividades estão entre as mais expostas ao aumento dos custos operacionais devido à forte dependência de mão de obra e à necessidade de manter operações contínuas.

De acordo com o levantamento, caso a proposta seja aprovada sem medidas que ampliem a produtividade, empresas desses segmentos poderão enfrentar redução na rentabilidade, além da necessidade de reorganizar escalas, contratar mais profissionais ou absorver custos adicionais para manter o mesmo nível de atendimento ao consumidor. A Moody’s estima que, em alguns casos, o impacto pode comprometer até 12% do Ebitda, indicador utilizado para medir o desempenho operacional das empresas.

A proposta em discussão no Congresso prevê a redução gradual da jornada semanal de trabalho para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e manutenção dos salários. O texto também estabelece um período de transição para adaptação das empresas e permite que acordos e convenções coletivas tratem de situações específicas de cada setor.

Especialistas destacam que os efeitos da mudança podem variar conforme a atividade econômica. Segmentos que funcionam de forma ininterrupta, como transporte, logística, comércio e serviços, tendem a enfrentar maiores desafios para reorganizar equipes e manter a produtividade sem aumento proporcional dos custos.

O debate sobre a PEC também reúne diferentes avaliações. Defensores da proposta afirmam que a redução da jornada pode contribuir para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e estimular ganhos de produtividade ao longo do tempo. Já representantes de parte do setor produtivo argumentam que a adaptação poderá elevar despesas operacionais, influenciar investimentos e afetar a geração de empregos, especialmente em atividades intensivas em mão de obra.

A proposta segue em tramitação no Congresso Nacional, onde ainda será analisada pelas próximas etapas do processo legislativo antes de uma eventual aprovação definitiva.

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