Inflação do Brasil e dos EUA entra no radar do mercado em meio a tensão no Oriente Médio

Combustíveis, alimentos e serviços seguem pressionados enquanto investidores acompanham efeitos econômicos do conflito internacional

Brasil e Estados Unidos divulgam nesta terça-feira (12) novos dados de inflação em um cenário marcado pela instabilidade econômica causada pela guerra no Oriente Médio. O avanço dos preços de combustíveis, alimentos e serviços mantém o mercado financeiro em alerta e amplia as preocupações sobre os próximos passos dos bancos centrais.

No Brasil, a expectativa do mercado é de desaceleração do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em abril. Segundo a mediana das projeções do boletim Focus, do Banco Central, a inflação oficial deve registrar alta de 0,69% no mês, abaixo dos 0,88% observados em março. Ainda assim, economistas apontam que o índice continua pressionado pelos reflexos indiretos do conflito internacional.

Entre os principais fatores de impacto estão os combustíveis, influenciados pela valorização global do petróleo, e os alimentos, afetados tanto pelo aumento do custo do frete quanto por questões climáticas. Analistas destacam que itens como gasolina, carnes, leite, ovos, feijão e produtos in natura devem continuar contribuindo para a alta dos preços ao consumidor.

Para Christian Meduna, economista do Banco BV, os combustíveis seguem refletindo os preços internacionais, enquanto os alimentos sofrem influência adicional das condições climáticas e dos custos logísticos. Já o banco Daycoval projeta uma inflação ligeiramente maior, de 0,71%, avaliando que a pressão sobre itens essenciais permanece significativa.

O grupo de serviços também segue no radar do mercado. Apesar da queda nos preços das passagens aéreas em algumas leituras recentes, economistas avaliam que setores mais ligados ao consumo e ao mercado de trabalho continuam pressionados, o que mantém desafios para a política monetária do Banco Central.

Outro ponto de preocupação envolve os efeitos climáticos esperados para os próximos meses. Economistas alertam que o fenômeno El Niño pode elevar ainda mais os preços dos alimentos e da energia elétrica no segundo semestre, pressionando a inflação também nos próximos anos.

As projeções do mercado mostram um ambiente de cautela crescente. O boletim Focus registrou nova alta nas expectativas para a inflação de 2026, alcançando 4,91%, movimento que reforça o cenário de deterioração das previsões econômicas.

Nos Estados Unidos, investidores acompanham a divulgação do CPI, índice de inflação ao consumidor americano. A expectativa é de aceleração do índice cheio, impulsionada pelos preços de energia, enquanto o núcleo da inflação — que desconsidera alimentos e energia — deve continuar resiliente.

Especialistas avaliam que uma inflação acima do esperado pode alterar as expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve, o banco central americano. Nesse cenário, cresce a possibilidade de manutenção de juros elevados por mais tempo ou até de novos ajustes monetários, caso os impactos econômicos do conflito internacional se intensifiquem.

O mercado global acompanha os números desta terça-feira como um dos principais indicadores para medir os efeitos da crise geopolítica sobre a economia mundial, especialmente em setores estratégicos ligados à energia, transporte e alimentação.

*Com informações CNN

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