O Setor Comercial Sul (SCS) poderá ganhar moradias, novos empreendimentos e um Polo Criativo Tecnológico como parte de um amplo projeto de revitalização da região. A proposta está prevista nos relatórios da segunda e da terceira etapas do Diagnóstico do Setor Comercial Sul, concluídos pela Universidade Católica de Brasília (UCB) em parceria com o Parque de Inovação e Sustentabilidade do Ambiente Construído da Universidade de Brasília (Pisac-UnB).
O estudo defende a implantação de residências como uma das principais estratégias para estimular a ocupação do setor, que atualmente concentra cerca de 10 edifícios e aproximadamente 1,2 mil lojas e salas desocupadas. A medida busca aumentar a circulação de pessoas, fortalecer a economia local e contribuir para a recuperação urbana da área.

Segundo o coordenador da pesquisa e do Programa de Pós-Graduação em Inovação em Comunicação e Economia Criativa da UCB, Alexandre Kieling, a implantação de moradias é viável desde que respeite as normas de preservação do patrimônio histórico estabelecidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A proposta tem como referência modelos internacionais de requalificação urbana, como o conceito da “Cidade de 15 Minutos”, adotado em Paris, na França. A ideia é oferecer aos moradores acesso facilitado a serviços essenciais, trabalho, comércio, educação e lazer em um mesmo território. O projeto prevê diferentes modalidades de habitação para atender estudantes, jovens profissionais, pacientes em tratamento nos hospitais da região e outros públicos.
Os relatórios foram apresentados em evento realizado no auditório do Sesc Presidente Dutra, no próprio Setor Comercial Sul. Durante o encontro, o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, também destacou a importância da ocupação residencial para a recuperação da área.

Para ele, a presença permanente de moradores contribuirá para ampliar a movimentação econômica e social do setor, estimulando a abertura de novos estabelecimentos comerciais, serviços, escolas, bares e restaurantes.
O diagnóstico integra uma iniciativa desenvolvida pela UCB e pela UnB com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal (Secti-DF), dentro do programa Desafio DF, lançado em 2023.
Além de mapear as características sociais, econômicas, culturais e urbanísticas da região, os estudos apresentam instrumentos técnicos, jurídicos e estratégicos para viabilizar a implantação do futuro Polo Criativo Tecnológico. A expectativa é que a estrutura seja formalmente criada até o final de 2026 ou no início de 2027.
A segunda etapa do trabalho consolidou um planejamento estratégico com propostas de modelo jurídico, governança, gestão, desenvolvimento e sustentabilidade para o projeto. O documento reúne cerca de 500 páginas, incluindo estudos técnicos e alternativas para a implementação do polo.

Já a terceira fase concentra propostas arquitetônicas e urbanísticas voltadas à requalificação do espaço público, melhoria da mobilidade, integração entre áreas públicas e privadas, incentivo à ocupação qualificada e fortalecimento das atividades culturais e da economia criativa.
O modelo apresentado também prevê a criação de uma estrutura permanente de governança, reunindo representantes do poder público, universidades, setor produtivo, entidades locais e comunidade. A proposta inclui um comitê estratégico e uma entidade jurídica própria para executar as ações e garantir a continuidade do projeto.
De acordo com os responsáveis pelo estudo, experiências consolidadas no país, como o Porto Digital, em Recife, demonstram que uma estrutura de gestão independente é fundamental para assegurar a continuidade das iniciativas, independentemente das mudanças de governo e dos cenários econômicos.
Com informações da Fecomércio-DF





