Operação investiga desvio milionário na educação do DF

Ministério Público e Polícia Civil apuram suspeita de fraude em contratos e uso irregular de emendas parlamentares

Uma operação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), em conjunto com a Polícia Civil, investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à educação no Distrito Federal. Batizada de Operação Blackboard, a ação apura irregularidades que podem ter causado prejuízo superior a R$ 46 milhões aos cofres públicos, envolvendo contratos suspeitos dentro da Secretaria de Educação.

Mandados de busca e apreensão

A operação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e cumpriu 31 mandados de busca e apreensão em endereços no DF, São Paulo, Goiás e Tocantins. As diligências ocorreram em residências, empresas, órgãos públicos e também em gabinetes ligados à administração pública. O objetivo é recolher documentos, computadores e celulares que possam comprovar a existência de um esquema de corrupção na área educacional.

Deputado Hermeto é alvo da investigação

Entre os alvos da operação está o deputado distrital Hermeto, líder do governo na Câmara Legislativa. Mandados de busca foram cumpridos no gabinete do parlamentar e também em sua residência. Segundo os investigadores, há suspeitas de que recursos provenientes de emendas parlamentares e contratos administrativos ligados à educação tenham sido utilizados de forma irregular.

As investigações apontam que parte do esquema estaria relacionada à locação de um imóvel privado localizado no setor de motéis da Candangolândia, utilizado para abrigar temporariamente uma escola pública. O contrato é suspeito de apresentar superfaturamento e dispensa irregular de licitação, o que teria permitido o desvio de recursos da Secretaria de Educação.

Outros investigados no esquema

Além do parlamentar, a investigação também envolve servidores públicos, empresários e ex-integrantes da Secretaria de Educação, entre eles o ex-secretário João Pedro Ferraz dos Passos, apontado como responsável por autorizar etapas do processo administrativo que resultou na contratação investigada. Também são apuradas possíveis irregularidades envolvendo uma associação ligada à área educacional que teria recebido milhões em recursos públicos.

Defesa dos envolvidos

Em nota divulgada à imprensa, o deputado Hermeto afirmou que não possui gestão sobre contratos da Secretaria de Educação e que os recursos indicados por seu mandato foram destinados a melhorias em escolas por meio do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF). O parlamentar declarou ainda que está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos sobre o caso.

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