Brasil inicia vacinação inédita contra a dengue

Imunizante desenvolvido pelo Butantan é em dose única

O Brasil deu um passo histórico no enfrentamento à dengue com o início da vacinação em Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). A campanha marca a primeira aplicação, em condições reais, de um imunizante nacional de dose única contra a doença, desenvolvido pelo Instituto Butantan, e abre caminho para uma nova estratégia de controle de uma das arboviroses que mais afetam a população brasileira.

A fase inicial da vacinação ocorre de forma piloto em municípios de diferentes regiões, escolhidos por apresentarem porte populacional intermediário e uma rede de saúde capaz de acompanhar de perto os resultados da imunização. Nessa etapa, a vacina é aplicada em pessoas entre 15 e 59 anos, faixa etária que concentra grande parte dos casos registrados da doença.

Ao longo de um ano, especialistas irão monitorar o impacto da vacinação na circulação do vírus e na ocorrência de novos casos, além de acompanhar possíveis eventos adversos raros. A proposta é avaliar, de forma científica, a efetividade do imunizante no cotidiano dos serviços de saúde, em metodologia semelhante à utilizada anteriormente em estudos sobre a vacina contra a covid-19.

Caso os resultados confirmem a proteção observada nos estudos clínicos, a produção do imunizante deverá ser ampliada para atender todo o país. Antes disso, novas doses serão destinadas a públicos prioritários, como profissionais da atenção primária à saúde, considerados estratégicos no enfrentamento da dengue e no fortalecimento da resposta do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o Ministério da Saúde, a ampliação gradual da vacinação nacional será viabilizada por meio de acordos de transferência de tecnologia, que devem aumentar significativamente a capacidade de produção. A estratégia prevê a expansão progressiva da imunização por faixas etárias, começando pelos mais velhos e avançando até os mais jovens.

Mesmo com a chegada da vacina, autoridades de saúde reforçam que a prevenção continua sendo fundamental. O combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e de outras arboviroses, segue como medida indispensável, com ações como eliminação de água parada e cuidados no ambiente doméstico, complementando a nova ferramenta de proteção oferecida pela vacinação.

Foto: Rafael Nascimento/MS

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