
O desempenho da economia do Distrito Federal em novembro revelou movimentos opostos entre o comércio e o setor de serviços. Enquanto o varejo registrou crescimento de 0,5% na comparação com outubro, o volume de serviços apresentou retração de 3,4% no mesmo período, segundo dados do IBGE. O contraste evidencia uma recuperação pontual do consumo de bens, ao mesmo tempo em que parte das atividades de serviços perdeu ritmo no curto prazo.
Na comparação entre 2024 e 2025, o avanço do comércio varejista foi ainda mais expressivo: as vendas cresceram 5,7% frente a novembro de 2024, colocando o DF entre os melhores desempenhos do país nesse indicador. Já o setor de serviços também manteve resultado positivo no mesmo comparativo, com alta de 5,1%, o que demonstra que, apesar da queda mensal, o segmento segue em trajetória de crescimento no horizonte mais amplo.
O crescimento do varejo foi puxado principalmente por setores ligados ao consumo doméstico e à saúde, como artigos de uso pessoal e doméstico, produtos farmacêuticos e de perfumaria, além de móveis, eletrodomésticos e papelaria. Em contrapartida, atividades como combustíveis e vestuário apresentaram retração, refletindo um comportamento mais cauteloso do consumidor.
Para o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, o ritmo desigual entre os setores está diretamente ligado ao cenário financeiro. “Apesar da expressiva melhora no emprego, na renda e na robustez do setor público distrital, as altas taxas de juros impactaram fortemente o consumo, quando a população optou pela quitação de dívidas e por evitar a inadimplência, que registra índice elevado nos últimos meses”, avalia.
No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacado especializado, o crescimento mensal em novembro foi de 1,9%, enquanto o avanço frente ao mesmo mês do ano anterior chegou a 3,7%. Ainda assim, o acumulado dos últimos doze meses mostra desaceleração, indicando que o volume de vendas pode encerrar o ano até 2% abaixo do registrado em 2024.
Já no setor de serviços, apesar da queda mensal mais acentuada, os indicadores acumulados seguem robustos. O segmento registra alta de 7,6% no ano e de 7,9% nos últimos doze meses no DF, percentuais superiores aos observados no varejo no mesmo recorte temporal. No turismo, a retração mensal foi de 5,0%, embora o setor ainda acumule crescimento ao longo de 2025, reforçando que o recuo observado em novembro tem caráter pontual.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

