A segunda parcela do 13º salário deve movimentar a economia brasileira em dezembro, com a liberação de um volume expressivo de recursos aos trabalhadores. A expectativa é de que o pagamento injete mais de R$ 130 bilhões no mercado, em um valor superior ao registrado no mesmo período do ano passado, mesmo após o desconto da inflação.
Apesar do aumento do montante disponível, o destino do dinheiro pouco mudou. Pelo quinto ano seguido, a principal prioridade dos brasileiros será o pagamento de dívidas. A maior fatia da segunda parcela deve ser usada para quitar ou amortizar compromissos financeiros, superando os valores direcionados ao consumo no comércio e à contratação de serviços.
O comportamento reflete um cenário de forte pressão sobre o orçamento doméstico. Com juros elevados e renda cada vez mais comprometida, muitas famílias veem no 13º uma oportunidade de reorganizar as finanças e reduzir pendências acumuladas ao longo do ano, ainda que isso limite um impulso mais robusto nas vendas de fim de ano.

Levantamentos indicam que o nível de endividamento das famílias segue em patamar elevado e com tendência de alta. Uma parcela significativa da renda mensal já está comprometida com dívidas, o que reduz a capacidade de consumo mesmo em períodos tradicionalmente aquecidos, como dezembro. Esse quadro afeta diretamente a disposição das famílias para gastar recursos extras.
Outro fator que pesa é o custo do crédito. As taxas de juros cobradas das pessoas físicas continuam em níveis elevados, tornando novas compras financiadas menos atrativas. Além disso, a inadimplência também avançou, o que aumenta a cautela tanto dos consumidores quanto das instituições financeiras.
Na avaliação de especialistas, o 13º salário mantém seu papel fundamental de alívio financeiro, mas com impacto mais contido sobre a atividade econômica. Embora o mercado de trabalho apresente sinais positivos, o alto endividamento e o crédito caro limitam a transformação do recurso adicional em consumo, reforçando a tendência de uso do benefício como instrumento de equilíbrio das contas domésticas.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

